Respeitemos o representante das administradoras nas assembleias, o verdadeiro SANCHO PANÇA

Dizem que o verdadeiro herói da narrativa de Cervantes, mundialmente conhecida, é o cavalariço Sancho Panza e, não o fidalgo Quixote


*Sancho Pança (Sancho Panza em castelhano) é um personagem do livro Don Quixote de la Mancha, conhecido apenas como Dom Quixote, de Miguel de Cervantes. Atua como um personagem contraste à personagem principal, o próprio Dom Quixote. Enquanto o Quixote é sonho, é fantasia, o Sancho é realista. Na medida em que o relato avança, Sancho, aos poucos, vai aceitando os “delírios” do cavaleiro de quem é o fiel escudeiro. Finalmente, não se pode pensar em Dom Quixote, sem ter junto o notável Sancho Pança (fonte: wikipédia, a enciclopédia livre).

Dizem que o verdadeiro herói da narrativa de Cervantes, mundialmente conhecida, é o cavalariço Sancho Panza e, não o fidalgo Quixote. Ele é quem, ao lado do cavaleiro errante, enfrenta moinhos de vento, o escárnio das pessoas, a quem, o personagem principal ousa expor suas idéias revolucionárias e idearias e, principalmente apóia seu senhor nas mais tresloucadas aventuras, além de cuidar de suas “feridas” de batalhas…e ouvi-lo chorar por Dulcinea del. O funcionário da Administradora de Condomínio que assessora, na maior parte das vezes, como secretário. Assembleias realizadas no prédio é um autentico exemplo do que no mundo corporativo se chama de sanchismo, a arte de contemporizar os devaneios de um membro hierarquicamente superior de uma equipe de trabalho, com as necessidades práticas do grupo todo, envolvido em dado projeto.

Assim, o Síndico, subsíndico, os conselheiros e demais moradores, as vezes, partem para uma verdadeira cruzada pessoal contra problemas, conflitos e projetos “gigantes” que povoam apenas suas mentes, cabendo ao paciente, plácido e observador Sancho Pança da Administradora, estar a seus lados, ajudando-os a lidar com a realidade financeira, social e estrutural de seu prédio “País”, quando não vêem os problemas e obstáculos reais, protegendo os ainda da maledicência de alguns.

É na Assembleia, transformada em verdadeiro campo de batalha, onde muitas vezes de parte a parte busca-se mais uma afirmação pessoal do que a real solução para um convívio comum harmonioso, o heróico cavalariço da Administradora, faz sua parte, esclarecendo dúvidas, mal entendidos, dando as palavras e frases o verdadeiro significado e não àquele malicioso, colocado de forma a induzir a massa condominial a erro de conceitos e, logo, de julgamento, etc. Além disso, coloca-se de espada, lança e escudo em mãos, para proteger seu “senhor” do ataque dos “carneiros” que se agigantam no imaginário somente daquele.

E o pior, no fim do combate, tarde da noite, ferido, cansado, desgastado e injustiçado, naquelas assembleias mais do que desgastantes, em que os moradores, jogam nos ombros deste personagem, todo o peso da gestão condominial, como se ele, sozinho, fosse responsável pela Administração do prédio, recolhe seus pertences e retorna para sua casa, não raras vezes do outro lado da cidade, após um dia inteiro de trabalho, e estresse, sendo-lhe suprimido o contato com a família, filhos, etc., para no dia seguinte iniciar-se tudo novamente.

As pessoas, presentes a Assembleia, que despejam sua ira, irresignação, contrariedade e as vezes frustração, esquecem que estão no aconchego do lar, na zona de conforte de estar próximo aos entes queridos, e conhecidos e, mal tratam este profissional que nada mais faz do que tentar ajudar a todos que lá estão sem interesse pessoal algum nisso, fazendo o melhor possível. Não raras vezes, ouvi, moradores de prédios dos mais variados padrões financeiros, mandar este funcionário da Administradora, calar a boca, ir em embora, etc. Triste, não?

Reflitamos sobre isso, encarando o colaborador da assembléia como um fiel escudeiro que está lá para nos ajudar e não, juntar-se aos carneiros contra nós! Educação, polidez, gentileza cabem a qualquer pessoa, ainda que pagando por dada prestação de serviços, assim, respeitemos o funcionário da Administradora que vai lá, em nosso condomínio, ajudar-nos na realização da Assembleia.

*Por Marcio Rachkorsky
Presidente de Honra da Assosíndicos-SP
Advogado formado pela PUC
Pós-graduado em Direito Contratual pelo CEUSP
Especialista em Condomínios
Comentarista da Rádio CBN – Programa “ Condomínio Legal”
Membro da equipe “ Chame o Síndico” do Fantástico da Rede Globo
Autor do Áudio-Livro “ Tudo que você precisa saber sobre Condomínios” – Editora Saraiva
Membro da Comissao de Direito Imobiliário e Urbanístico da OAB – São Paulo
Coordenador do curso “ Temas jurídicos aplicados aos Condomínios” da Escola Superior de Direito Constitucional
Colunista do jornal Carta Forense
Colaborador e colunista do Jornal do Síndico
Colunista da revista “ Em Condomínios”
Colaborador do Caderno de Imóveis da Folha de São Paulo
Colunista do “ Guia Qual Imóvel”
Palestrante e Conferencista
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Por Movimento dos Comunicadores do Brasil

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