Gravação revela esquema de propina em condomínio residencial no RS

Moradores de um condomínio localizado na cidade de Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, relatam que foram lesados pelo antigo síndico

Na tentativa de reunir provas, eles gravaram conversas com um fornecedor, que confessou que a propina chegava a 10% em uma das obras. O descontrole dos gastos era tamanho que até água mineral foi comprada para lavar o salão de festas.

Uma série de reportagens produzida pela RBS TV mostra que dinheiro dos condôminos era desviado por síndicos e utilizado até para gastos pessoais, comocompras em sex shops.

Os moradores do condomínio de Cachoeirinha criaram uma força tarefa para investigar os desvios. A primeira suspeita era de que o muro construído na piscina tenha custado bem menos que os R$ 116 mil pagos ao empreiteiro. Eles chegaram agravar uma conversa com o construtor, na qual ele admite que pagou uma comissão de 10% ao ex-síndico. “Quando ele cobrou de propina do senhor?”, pergunta um morador. “A propina sempre é de 10% da obra”, dizia o construtor.

Até o ex-zelador faria parte do esquema. Ele seria o responsável por arrecadar as comissões que eram entregues ao síndico. Só em taxas, o condomínio recebe R$ 2 milhões por ano, que são divididos entre os 600 moradores. Uma auditoria aponta que os desvios podem ter chegado a R$ 700 mil, em 2015.

Um equipamento para aumentar a pressão da água de um reservatório custou R$ 60 mil, quando o valor de mercado seria metade disso. Pelo menos duas das empresas que apresentaram orçamentos pertenciam ao mesmo dono.

A auditoria feita nas contas do condomínio apontou ainda que até água mineral foi comprada para lavar o salão de festas. “Sendo que a gente tinha outras opções para conseguir essa água, por exemplo, até com água da piscina, queria o mesmo retorno para o condomínio”, reclama o empresário e morador, Rodrigo Caetano.

Após a identificação das irregularidades foi contratado um síndico profissional e dois moradores recebem uma ajuda de custo de R$ 200, cada, apenas para fiscalizar o trabalho.

Esquemas em condomínios 
Esquemas de corrupção e desvio de dinheiro também atingem moradores de condomínios de todo Brasil. Foi o que revelou neste domingo (12) o Fantástico, em reportagem produzida pela RBS TV. Em Porto Alegre , um ex-síndico respondeprocesso por apropriação indébita por ter feito compras pessoais, inclusive em um sex shop, com dinheiro do condomínio. 

O caso ocorreu em um condomínio do bairro Guarujá, na zona Sul de Porto Alegre. O ex-síndico Lenar Pereira teria realizado as compras no estabelecimento com o cartãode débito do condomínio. Ele foi indiciado pela polícia e denunciado pelo Ministério Público por apropriação indébita, crime que prevê pena de até 4 anos de prisão.

Moradores de Capão Novo discutem em reunião 
situação (Foto: Giovani Grizotti/RBS TV)

A reportagem também mostrou manobras dos síndicos para conseguir dinheiro, com serviços contratados por eles, como jardinagem, reformas e pintura, pagos com o recolhimento das chamadas taxas de condomínio, obrigatórias a todos os moradores. Em Porto Alegre, a reportagem localizou o dono de uma empresa que já sofreu achaques de diversos síndicos. As comissões pagas em troca dos contratos chegam a 60%.

"A gente chama aqui em Porto Alegre de 'a máfia dos síndicos'. Isso está escancarado", afirma o empresário que vende sistemas de segurança. 

Outro empresário, do ramo de portaria, diz que é comum o pagamento de uma espécie de “mensalinho”, a síndicos. "Acontece em limpeza de caixa d'água, cortar grama, manutenção predial, pintura de prédio, higienização. Em 90% das vezes a gente é achacado", afirma o empresario. 

Repórter se passou por síndico e gravou negociatas 
Para comprovar os esquemas, o repórter Giovani Grizotti se fez passar por síndico e gravou negociatas com fornecedores em São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Na capital gaúcha, abordou um eletricista, que afirma pagar propina de 20% a síndicos. Já para zeladores o percentual é menor. "Zelador quando indica a gente é mais ou menos dez por cento", afirma o eletricista, que diz conseguir até os três orçamentos, exigidos pela maioria dos condomínios antes de fechar os contratos.

Em Capão Novo, Litoral Norte do Rio Grande do Sul , o síndico João Francisco Flores Candiota é suspeito de aplicar um golpe em pelo menos oito condomínios. A administradora de condomínios da qual era dono, a Kimar, fechou as portas em março, sem dar qualquer explicação. Só no condomínio do qual Candiota também era síndico, desapareceram R$ 140 mil à reforma da fachada.

"É pior do que entrar na nossa casa e roubar. Porque esse rouba a nossa confiança", desabafa a moradora Marlene Aurélio, funcionária pública. 

Os condôminos procuraram a polícia para denunciar que a administradora de Candiota apresentava extratos falsos indicando os valores supostamente existentes na conta bancária. Mas ao verificar no banco, o extrato original mostrava saldo zero.

"Quando vimos, nós não tínhamos dinheiro nenhum. Eu comprei uma casa e adquiri uma dívida que eu não estava contando", afirma a aposentada Regiane Mader, referindo-se à taxa extra que terá de arcar no boleto do condomínio. 

A reportagem da RBS TV tentou falar com João Francisco Flores Candiota, que não foi localizado. Também se tentou falar com ele pelas redes sociais para pegar a sua verão. Ele recebeu os recados, chegou a ler, mas não retornou. A reportagem também tentou ouvir Lenar Pereira. Ele atendeu o primeiro telefonema, ficou de retornar a ligação, mas não se manifestou até a noite deste domingo.
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Por Movimento dos Comunicadores do Brasil

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