Combate ao coronavírus chega aos condomínios

Especialistas em administração predial dão dicas de como agir para evitar a propagação 

Resultado de imagem para coronavírus nos condominios

A pandemia do novo coronavírus pegou o mundo de surpresa, exigindo mudanças de comportamento por parte da maioria e, claro, nos condomínios não têm sido / nem podia ser diferente. Seguindo as recomendações de organismos internacionais de saúde e vigilância epidemiológica, bem como de decreto municipal, moradores, síndicos e administradores – todos juntos – se viram na obrigação de rever rotinas e redobrar os cuidados no sentido de evitar a propagação da Covid-19.

Em residenciais de Salvador, medidas como a instalação de dispositivos de álcool em gel no hall de entrada e dependências; o fechamento de áreas comuns; a obrigatoriedade de que prestadores de serviço lavem as mãos ao chegar ao local são algumas das ações já adotadas. Reuniões e assembleias só por meio de aplicativo de mensagem no celular; já nos edifícios empresariais, a reportagem de A TARDE apurou centro odonto-médico no Itaigara que fechou as portas “até segunda ordem”.

Para o presidente do Sindicato da Habitação na Bahia (Secovi), Kelsor Fernandes, na atual circunstância, síndicos e administradores de condomínios devem se movimentar e tomar medidas enérgicas no sentido de se resguardar e ainda zelar pelo coletivo. Mas o alerta dele é que essas decisões sejam baseadas nas orientações e decretos das autoridades, “que são cada vez mais duras, porém necessárias”. “Nunca passamos por nada igual. É o momento prestar ainda mais atenção, alertar, colocar regra”.

Com o objetivo de orientar a atuação dos profissionais da área de administração predial no combate à propagação do coronavírus, o Instituto Baiano de Direito Imobiliário (IBDI) desenvolveu um informe com sugestões de iniciativas que podem ser tomadas para assegurar um isolamento social seguro e eficiente. Um dos autores do documento, o advogado Thiago Pacheco diz que, para começar a agir, o primeiro passo é ter a consciência que essa é uma situação diferente de tudo com que ele já se deparou. “Pandemia não é algo que as assembleias de condomínio costumam discutir”, diz.

Por isso mesmo, ainda segundo Pacheco, a primeira dica do texto é que, depois de suspensa a realização de assembleia presencial – seguindo o recente normativo da prefeitura que limita o número de pessoas reunidas em um mesmo lugar pelo menos nos próximos 15 dias –, o conselho gestor do condomínio discuta e delibere quanto às restrições do uso das áreas comuns do condomínio. A sugestão, porém, é o fechamento de espaços como academia, piscina, salão de jogos, brinquedoteca e quadra, diz.

“O fechamento dessas áreas tem causado grande discussão. É direito do condômino utilizar os bens comuns do condomínio, mas precisamos lembrar que esse é um momento de isolamento, não de férias. Devemos priorizar medidas que prezem pela vida e saúde dos outros condôminos”, afirma Pacheco.

Até mesmo o uso compartilhado do elevador, ou mesmo o racionamento do aparelho deve ser discutido. Segundo o especialista, o ideal nesse caso é seguir as “recomendações técnicas” da Organização Mundial da Saúde (OMS), para que o equipamento seja usado ao mesmo tempo apenas por membros de uma mesma família, a cada viagem, e que a sua capacidade máxima seja reduzida.

A higienização, em especial dos elevadores, é também dos itens mais importantes nesses tempos de coronavírus, conta Cinthia Cohen, diretora franqueada da Jan-Pro, empresa especializada em serviços de limpeza corporativa. Segundo Cinthia, por conta do avanço da doença, ela instaurou nos procedimentos a assepsia a cada duas horas do equipamento, de maçanetas, corrimãos –, “além de passar a utilizar produtos de limpeza concentrados, antes adotados apenas em hospitais”.

De acordo com o coordenador da Vigilância Sanitária do município, Raoni Rodrigues, ainda não existe uma frequência determinada cientificamente para a higienização dessas superfícies, mas o período de duas horas “pode, sim, ser recomendado”. Ele também orienta que os outros ambientes de uso comum sejam vistoriados mais vezes durante o dia, “já que essas áreas serão mais pressionadas”. “São orientações que a população deve assumir como uma responsabilidade para proteger a sua vida, e a dos outros”.

Solidariedade

Responsável pela gestão de cinco condomínios, o síndico profissional Rildo Oliveira resolveu determinar um “distanciamento social” dos moradores em todos eles. Oliveira suspendeu o uso do salão de festas, das academias, brinquedoteca e, em alguns casos, das piscinas e parques infantis. Outra medida introduzida foi a higienização – pelo menos duas vezes ao dia – dos elevadores, corrimãos, portas e portões, tudo como forma de diminuir a possibilidade de contaminação. “São medidas simples que podem salvar vidas, são mudanças de hábitos que podem ajudar a frear a proliferação do coronavíru”, fala.

O também síndico profissional Robson Carvalho intensificou a limpeza dos espaços comuns e fechou as áreas de lazer dos condomínios em que trabalha. Ele, porém, comentou que nem todas as iniciativas foram bem recebidas por parte dos condôminos. “A maior dificuldade é convencer os moradores a ficar em casa, porque alguns estão encarando esse momento como férias, e querem usar a piscina, a academia. Estamos numa pandemia, e é necessário que as pessoas que podem ficar em casa, fiquem”.

No mesmo condomínio, Carvalho conta que parte dos moradores se dispuseram a ajudar os vizinhos mais idosos na realização da compra de alimentos e medicamentos, “porque as pessoas da terceira idade estão no grupo de risco da doença”. Robson fala que um aviso com na área dos elevadores pede para que, quem necessitar, deixe escrito do que se trata, para que o voluntário possa auxiliar.

AÇÕES PRECISAM PROTEGER TAMBÉM OS FUNCIONÁRIOS


A Covid-19 não é um risco só para os moradores, mas também os funcionários de condomínios, advertem os especialistas.


A flexibilização ou diminuição da escala de serviço; a dispensa daquele que compõem o chamado grupo de risco, e o investimento em materiais de proteção individual – como a distribuição de álcool em gel, luvas e máscaras são algumas das medidas que devem ser adotadas no sentido proteger os trabalhadores.


O presidente do Sindicato da Habitação na Bahia (Secovi), Kelsor Fernandes, fala da orientação dada pela entidade nesse momento de pandemia.


“Nossa orientação é que se dispensem funcionários do grupo de risco, ou seja, idoso e pessoa com problemas de saúde, e que, se possível, faça-se um rodízio com os outros funcionários, para preservar também a saúde destes, e evitar que se contaminem. O mais importante nesse momento é preservar vidas”, aforma o presidente o Secovi.


Gestor e advogado especializado em direito imobiliário, Lucas Cardoso conta que no condomínio que administra foi reduzida pela metade o quadro de auxiliar de serviços gerais e que ainda implementou um rodízio semanal dos funcionários do condomínio.


“Um grupo trabalha em uma semana e na outra fica em casa, enquanto outro grupo o substitui. É uma tentativa de diminuir a exposição deles no transporte (público)”, explica o advogado especializado.


Dar férias a um funcionário com 56 anos de idade foi a primeira medida do síndico profissional Robson Carvalho diante da expansão da Covid-19.


Equipamentos


Nos condomínios que administra, Carvalho também diz que investiu na compra de equipamentos de segurança e proteção individual, como álcool em gel e máscaras. Outra medida preventiva tomada foi mudar a escala dos trabalhadores para turnos de 12 horas, e folga de 36 horas.

Fonte: A Tarde.
Google Plus

Por Colibri Comunicação

Entender Condomínio

0 comentários:

Postar um comentário